7.2.07

Medalha de ouro em Bratislava






















Tão certa como qualquer uma das três fundamentais leis de Newton é a certeza de que a maior distância que se pode percorrer no universo enológico é aquela que separa Mendoza, na Argentina, do Vale dos Vinhedos, no sul do Brasil. Afastados por intransponíveis mil ou dois mil quilômetros, estão vinhos de espécies - e principalmente qualidades - tão distintas como animais que começaram a se diferenciar quando os continentes ainda eram uma única Gonduana. Mas este postulado científico dá ares de que será brevemente revisto.

Denominação de origem controlada é uma espécie de atestado de boa procedência no mundo dos vinhos. A maior parte das DOCs está situada no continente europeu, berço dos Bordeaux, Chianti, Rioja, Douro, Alentejo, Champagne, Tokay, Toro e uma grande variedade de nascedouros privilegiados. Fora da Europa, no entanto, somente duas indicações geográficas gozam de tamanho prestígio: a região do Napa Valley, nos EUA, e o Vale dos Vinhedos, na Serra Gaúcha.

No exato momento em que os produtores gaúchos celebram a recente conquista, fui convidado para analisar, em conjunto com os blogs Vivinhos, Vinho para Todos e Viva o Vinho, este Lovara Cabernet Sauvignon 2005, filho legítimo da mais nova DOC. Sob o peso de tal responsabilidade, optei por proceder uma análise científica do produto que, recentemente, conquistou medalha de ouro no décimo-quinto Vinoforum International Competition 2006, na República da Eslováquia. 

Cor: azul fechado como o céu de Bento Gonçalves, sem o brilho das estrelas de Gramado. Aroma: cordial, mas sem a simpatia da rainha da uva de Caxias do Sul. Gosto: correto, mas sem a franqueza de uma cozinha tipicamente italiana da região. Resultado: medalha de ouro em Bratislava. 

Jantando com a família no interior do Wyomming, Robert Parker poderia dar uma nota melhor. Almoçando com seu gerente de banco, Michel Roland também. E quem sabe a impressão que teria este Lovara num pequeno restaurante de Canela? 

Conclui-se e confirma-se com esta análise que a ciência, não importa se enológica ou quântica, depois de Einstein, ficou muito relativa.

2 comentários:

João Barbosa disse...

E na Europa há DOC que não interessam a ninguém.

Teresa disse...

Tem toda razão, dependendo do momento, da compahia, do estado de espírito, até o sabor varia.