10.3.06

Alentejanas, pois



Se algum dia desses, durante um jantar elegante, elogiarem as pernas do vinho que está sendo servido, não vá fazer a besteira de olhar para baixo da mesa para conferir. Simplesmente gire a taça e concorde com seu interlocutor com o mesmo ar de quem se encontra duas taças à frente e acima da humanidade. 

Quando gira na taça, em movimento circular e ritmado, o líquido deixa ligeiras marcas transparentes, em forma de pequenos arcos, ao redor do cristal. Ao fenômeno, causado pelo álcool, dá-se o nome de arquetes, lágrimas ou pernas. A palavra arquetes, não há dúvidas, vem do desenho semelhante a pequenos arcos. Por sua vez, o líquido que fica depositado sobre o cristal escorre lentamente como pequenas lágrimas. Pura afetação.

Cá entre nós, um bom vinho deve ter mesmo é belas pernas. Longilíneas, vigorosas e bem torneadas. Como as que se encontram na foto acima, em momento de meditação, em dúvida se convida o alentejano à sua frente para bailar o gira ou rodopiar o fado.


5 comentários:

Ana Leticia disse...

Amei texto e fotos. E concordo que vinho tem que ter pernas - muito melhor que arquetes ou lágrimas. Delicioso e sem frescura.

Ana Leticia disse...

Amei texto e fotos. E concordo que vinho tem que ter pernas. Muito melhor que arquetes ou lágrimas. Delicioso e sem frescura.

Anônimo disse...

Dudú;

O texto está bem legal e as fotos, como sempre, maravilhosas!!!

[];

Pedro

Sérgio Bastos disse...

Viva, Eduardo

Parabéns pelo blog.
Precisava de lhe perguntar uma coisa, pode me escrever?

Obrigado

Eduardo Lima disse...
Este comentário foi removido pelo autor.